terça-feira, 20 de janeiro de 2009

AQUI não brincam em serviço

Máquina de RP's de Obama alimenta 'Inauguração do Povo'

Depois de observar com interesse um dos melhores trabalhos de RP's de todos tempos - a eleição do novo Presidente Obama - fico com curiosidade para ver o que preparou a sua equipa de RP's para a cerimónia de tomada de posse. O PR Newswire já nos deixa alguma informação.

Esta será a acção de RP's mais visivel de toda a campanha. Agora seria bom não exagerar! Sobra-lhes, depois, o árduo trabalho de gerir tanta expectativa.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Os jornais no país do futebol e do carnaval

Como é possível que, hoje, quatro dos cinco jornais diários nacionais tenham feito notícia de capa do 'acidente' de Cristiano Ronaldo no seu mais recente Ferrari.
Não havia nada mais importante a noticiar?
Além da falta de interesse editorial desta notícia choca-me que os responsáveis editoriais dos jornais nacionais não se emocionem com a situação que o nosso país vive actualmente. Portugal é, neste momento, um país triste que sofre com uma crise que esvaziou os bolsos dos portugueses. Respeitem-no.
Senti um enorme desconforto quando li, lado a lado, a notícia de que as falências em Portugal já criaram 100.000 desempregados e a de que o rapaz que não sabe falar mas que chuta muito bem a bola anda a estoirar carros de mais de 300 mil euros (uns anos de trabalho para o português médio) .
Lembrei-me do Brasil há uns anos. O povo passava fome e os governantes davam-lhe carnaval e futebol.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Bom Ano Novo!




terça-feira, 30 de dezembro de 2008

´'Eu escrevi sobre algumas agências...'

Agradeço a reprodução do meu artigo. Todavia, verifico que julga que eu não sei do que falo. Eu escrevi sobre "algumas agências", como poderá verificar numa leitura atenta do meu texto. E sobre essas algumas, sei do que falo.Saudações cordiais,Eduardo CT
27 de Dezembro de 2008 19:30


Como profissional de comunicação agradeço a Eduardo Cintra Torres o esclarecimento que efectuou neste comentário ao meu post anterior.

Embora acredite verdadeiramente que Eduardo Cintra Torres apenas tenha querido referir-se a 'algumas 'agências', da leitura global do seu artigo resulta a clara percepção de que este não é mais do que uma critica generalizada à actividade das agências de comunicação nacionais.

Verificou Eduardo CT que eu julgava que ele não sabia do que falava. Confesso que preferi pensar que havia alguma ignorância em relação ao tema. Não quis pensar em má-fé. É que as criticas são injustas e os cenários apresentados muito pouco fieis aos procedimentos utilizados diariamente pela maioria das agências de comunicação portuguesas e por milhares de profissionais.

O artigo teria sido mais esclarecedor se Eduardo Cintra Torres tivesse referido que as agências visadas pelas criticas são as que desenvolvem a actividade de comunicação política. Uma actividade incómoda para variadissimos interesses instituídos, mas que no mercado da comunicação nacional, não representa mais que 5% do volume de negócios do sector.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Mais vale falar do que se sabe...

Fico sempre fascinada com a capacidade que alguns senhores têm de falar sobre o que não sabem. O espaço em branco deve ser muito tentador. E a necessidade contratual de o preencher uma agonia. Mas é sempre melhor escrever sobre temas com os quais estamos à vontade. Pelo menos não sai asneira...
Coloco-me, desde já, à disposição de Eduardo Cintra Torres para lhe oferecer uma formação gratuita sobre os principios básicos da comunicação e sobre o 'dia a dia' e procedimentos de uma agência de comunicação.
Vai ficar surpreendido...é que as agências de comunicação são mesmo as entidades que imprimem maior transparência aos processos de comunicação e impedem, na maior parte das vezes, a criação de várias agendas mediáticas que servem interesses menos claros.
Aqui fica a 'opinião' de Eduardo Cintra Torres, no Público:
'Viver "habitualmente" pela propaganda

A ideia de que as pressões sobre jornalistas, ou meras sugestões, partem apenas da central de propaganda do Governo é incorrecta. Uma boa parte desse trabalho é entregue a “agências de comunicação”.

Essas “agências” são empresas que vendem um produto: propaganda dos seus clientes. Mas algumas não se limitam a encher os computadores dos jornalistas com informações já em forma de “notícias”, explicando o unicamente suposto lado bom da acção dos seus clientes. Fazem mais que isso. Organizam festas, inaugurações e lançamentos de Magalhães com o dinheiro dos clientes – ou dos contribuintes, caso o cliente seja o Estado. Telefonam a sugerir aos jornalistas que façam perguntas incómodas em directo a políticos que considerem adversários dos seus clientes. E fornecem às redacções e aos blogues “amigos” material e background favorável aos seus clientes e desfavorável aos outros.

Inundados de informações e, se necessário, de rumores e insinuações, os jornalistas ficam apenas com um lado da questão. A enxurrada “informativa” facilmente inquina a sua possibilidade de averiguar mais completamente as questões, que entram na agenda mediática deformadas, e deformadas prosseguem até à sua substituição por outras.

Para o poder político, as “agência de comunicação” têm a vantagem de diluir o destino do dinheiro destinado à sua propaganda. Como um governo não pode “comprar” jornalistas, arranjou-se o processo de pagar a “agências”, sendo estas que usam o nosso dinheiro de formas que dificilmente viremos a conhecer.

Tudo isto é fado, tudo isto é lobbying, claro, um nome lindo para uma actividade que tantas vezes pode ser suja. Sendo as “agências de comunicação” empresas que recebem dinheiro para inclinar a informação jornalística para o lado dos seus clientes, o jornalismo nunca deveria esquecer, ao receber-se um email, um comunicado ou um telefonema de uma agência de comunicação, que tudo isso foi pago pelo cliente que quer “boa imprensa” para si e amiúde “má imprensa” para os adversários. As “agências” recebem do seu cliente quaisquer que sejam os métodos que usem (e que podem ser vedados legalmente a governantes e políticos). Não são perseguidas judicialmente nem de qualquer outra forma. Ficam sempre a ganhar, e bem. Já o jornalismo é abusado e fica sempre a perder.

Ao seguir indicações das “agências de comunicação”, um jornalista pode facilmente fazer uma informação que é mais pobre ou mesmo enviesada. E é ele quem dá a cara. Quem passa por fazer fretes. Se houver problemas, é ele que os enfrenta. Entretanto, nas agências de propaganda, arrecadam-se lucros por vezes fabulosos e teoriza-se sobre a sua “científica” actividade das “relações públicas”.

Este quadro é particularmente gravoso na actualidade, porque o Governo parece estar empenhado na acção de comunicação comprada no mercado das “agências”. Estas chegam a substituir as funções dos assessores de imprensa dos ministérios e agem em conjunto com a central de propaganda.

Não tendo a oposição ou outras partes envolvidas nas notícias acesso aos mesmos orçamentos de propaganda para pagar a “agências de comunicação” concorrentes, o fluxo de eventos, powerpoints e de teleponto, de emails, comunicados e chamadas de telefones das agências para os jornalistas cria um grande desequilíbrio. Isso depois nota-se, e muito, quando se lê os jornais, se ouve a rádio e se vê televisão – e até quando se lê blogues claramente ligados à central de propaganda. Parece que estamos na Rússia: a “informação” vem quase toda do mesmo lado. Criam-se “ondas” de opinião publicada que leva a maioria dos comentadores a criticar muitíssimo mais a oposição do que o poder executivo, o que é um padrão altamente atípico nos regimes democráticos.

À parte alguns aspectos da política da Educação, a governação pouco é criticada, quanto mais escrutinada. Não há crise nem recessão. Aliás, a crise é “favorável” ao Governo, o que, seguindo alguns comentadores, parece tornar a crise excelente para todos. A política financeira está correcta, o Financial Times é que está enviesado. É excelente que o Orçamento seja optimista em vez de realista. Na Saúde agora está tudo ok: a ministra “explica tudo muito bem”, mesmo que tenha ocultado o défice ao Parlamento. No Ambiente corre tudo bem. Na Economia também. Nos Negócios Estrangeiros também. Na Defesa também. Na Cultura também. No Trabalho também. Na Administração Interna está tudo bem outra vez. O desemprego aumenta pouco e, vistas as coisas por outro prisma, até desce. O desemprego entre os milhões que andam a recibos verdes não existe. A emigração causada pela política económica é uma invenção. A fuga do investimento estrangeiro não é importante. O Governo faz os possíveis. A oposição é toda desastrosa: a sociedade civil, os sindicatos, o PSD, o PCP, o CDS, excepto o BE, enquanto houver esperança de aliança com o PS. Como queria Salazar, tenta-se “levar os portugueses a viver habitualmente” com este sufoco informativo.'

A optimista

Sou optimista por natureza. Acredito vivamente que a crise em 2009 não irá, em geral, prejudicar grandemente a indústria das Relações Públicas. (Aliás já falei sobre o tema aqui.)

Sendo esta uma crise que assenta em grande parte na confiança (ou falta dela) eram bom que os players económicos e os Meios de Comunicação Social largassem o discurso e a postura derrotista e olhassem o futuro com algum optimismo.

O Briefing está a preparar um trabalho sobre o mercado da comunicação. Estou com alguma curiosidade em ler as posições dos meus colegas e concorrentes sobre as consequências da malfadada crise no nosso negócio. É que espero, sinceramente, não ser a única a olhar para o futuro de uma forma positiva.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

'É tudo uma questão de confiança, estúpido'

'É tudo uma questão de confiança, estúpido. Todos os sistemas financeiros dependem da confiança. As pessoas precisam de acreditar que as instituições com as quais lidam agirão de acordo com o que se espera delas. Estamos em plena crise porque investidores e gestores financeiros (que dirigem bancos, bancos de investimento, hedge funds, companhias de seguros) perderam a confiança.’
Robert J. Samuelson, Newsweek, 20 Setembro 2008


Não foram apenas a inabilidade e falta de transparência dos gestores financeiros ou a incompetência das entidades responsáveis pela regulação dos mercados que lançaram o mundo numa das maiores crises económicas das últimas décadas. O falhanço das políticas de comunicação foi essencial para a grande quebra da confiança.
Se tivesse havido preocupação em comunicar, com seriedade, a verdadeira ‘performance’ das instituições, não teria havido lugar para pânicos.
Esperemos que, no futuro, esta crise seja estudada como um 'case study' do que não fazer em comunicação financeira.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A Crise e a Prevenção

Ao longo dos anos, tenho lidado com muitas crises. A maior parte delas acompanhadas de perto pelos Órgãos de Comunicação Social.
E posso garantir que as crises que surgem em empresas ou entidades que desenvolvem proactivamente uma estratégia de comunicação séria e eficaz conseguem resolver, com melhores resultados e em menos tempo, as suas crises.
Também é natural, as empresas cujas filosofias, missão objectivos e actividade são conhecidas dos jornalistas e em tempo de crise, não têm que convencer. Apenas informar.
Com as empresas (e gestores) que consideram a comunicação uma ferramenta mais ou menos dispensável, a história é outra.
A desconfiança entre as partes (empresa ou entidade em crise e os órgãos de comunicação social) é uma realidade capaz de criar uma crise na própria crise. O que invariavelmente acontece:
- A empresa considera que os jornalistas exageram a situação e raramente relatam exactamente o sucedido. O jornalista considera que a empresa limita os acessos á informação, aos locais e ás fontes de informação;
- As empresas acreditam que os jornalistas efectuam juízos de valor ou acusações que levam os leitores a retirar conclusões precipitadas e que são uma fonte de pressão e de injustiça. O jornalista acredita que a empresa não partilha com ele todos os factos. Que esconde a verdade ou parte dela;
- As empresas consideram que o jornalista procura notícias sensacionalistas, escreve o que bem lhe apetece e é incontrolável. O jornalista considera que a empresa procura minorar os impactos negativos desresponsabilizando-se.

A prevenção é mesmo a melhor resposta para a gestão de crise!

Pedimos desculpa por esta interrupção...

Isto de ser mãe, mulher, empresária, empregadora, consultora de comunicação, membro da direcção de uma IPSS e ainda blogger (por gosto) não é fácil.
Já faz um tempo que esta amadora não coloca nenhum post nesta Primeira Página.

Mas é assim. Vem aí o Natal, a família está agitada, a mulher está à beira de um ataque de nervos, a empresária está em balanço, o BIPP a angariar fundos, os clientes antigos a preparar o próximo ano e os potenciais a querer arrumar a casa…
Pedimos desculpa por esta interrupção… a posta segue dentro de momentos!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A Não Perder!

Aqui fica a sugestão de visita a um evento muito especial. É sempre bom , em tempo de crise, descobrir um local que nos permite comprar presentes de Natal fantásticos (das melhores marcas) a preços de antigamente.
Desculpem a publicidade mas esta associação é muito especial para mim. E isto, porque integro, desde Março, a Direcção do BIPP, uma IPSS que desempenhará um papel muito importante no apoio à população deficiente (Portugal tem cerca de meio milhão de pessoas).
O BIPP oferecerá aos seus utentes, através de um Portal (em fase de finalização na Indra Sistemas) e dos Centros de Atendimento, informação permanentemente actualizada sobre os recursos e as respostas existentes tanto ao nível da Administração Pública como da iniciativa privada.
Será disponibilizada informação útil e adequada ás necessidades de cada caso específico, nomeadamente e entre outras, onde encontrar os técnicos de saúde, médicos e terapeutas especializados para cada problemática; quais as escolas preparadas para receber estas crianças; que apoios educativos e subsídios são disponibilizados pelo Estado; qual a legislação disponível; como e onde integrar pessoas diferentes na vida activa.
Apesar da generosidade de algumas empresas e particulares não podemos propriamente dizer, como calculam, que os financiamentos abundam. Daí a importância destes eventos de angariação de fundos.
Vamos então, todos à Feira do BIPP...A DIRECÇÃO AGRADECE

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Anita Mamã

Confesso que na minha infância fui uma grande admiradora dos livros da Anita. Em adulta tornei-me fã de Marcel Marlier, 'pai' de Anita e seu ilustrador.
Tive oportunidade de o conhecer,há dois anos, em Lisboa, quando visitou a exposição comemorativa do 50º Aniversário da pequena heroína que organizámos para um cliente.
Durante uns dias estive imersa em informação sobre Anita e o seu criador. Confesso que fiquei quase ‘diplomada’ no tema.
Deixo-vos extractos (do original, em francês) de uma entrevista que efectuei a Marcel Marlier. Muito engraçada.

Que représente Martine pour vous ?


Le premier texte qui me fut remis n’était pour moi qu’une histoire parmi d’autres, un simple livre à illustrer et je ne me doutais pas alors des nombreux épisodes qui allaient suivre.
Un demi siècle plus tard me voilà toujours avec le même personnage, je suis invité au Canada, en Turquie ou, aujourd’hui, au Portugal parce que je suis : « Le papa de Martine. »
C’est étrange. Je lui ai donné ses yeux, ses gestes et ses sourires, j’ai échangé ma vie contre l’existence d’une petite fille de papier.

Le travail du dessinateur est, par nature, plutôt solitaire. Parfois cela pourrait sembler frustrant de ne pas recevoir quelques sourires immédiats en retour, comme un chanteur ou un comédien. Avec Martine je n’ai pas ce souci, elle reçoit tellement de chaleur qu’elle partage volontiers avec moi.
Dans les lettres, les témoignages ou sur le site Internet, les enfants ou les anciens enfants devenus parents sont des milliers à dire leur amour. Martine est une amie, on lui confie des secrets, on partage avec elle des joies ou des épreuves. Elle est là dans les moments de grande solitude, puis aussi très souvent au coucher, dans le partage de tendresse avec un papa ou une maman, elle fait partie de la famille, de tant de famille et depuis si longtemps.
Ce que représente Martine pour moi ? Elle est porteuse de tous ces rêves, ces sourires et ces témoignages qui me font énormément de bien.
Si j’ai échangé ma vie contre mon travail : visiblement ce n’était pas pour rien.


Est-ce que Martine représente une petite fille en particulier ou présente t-elle les caractéristiques de plusieurs petites filles ?

Martine a souvent changé de coiffure et même de visage, pourtant les enfants n’en sont pas perturbés ; même très différente d’une histoire à l’autre, elle reste toujours identifiable. Comment est-ce possible ? En réalité sa tête importe peu, l’important c’est la relation de complicité qui peut s’installer entre le jeune lecteur et elle. Cette fille là, les enfants ressentent qu’il serait agréable de l’avoir comme grande sœur ou comme confidente. On aimerait entrer dans son monde et puis parfois on aimerait qu’elle quitte le livre pour entrer dans notre quotidien. Des enfants handicapés l’on prise pour amie car ils ont le sentiment qu’elle peut tout comprendre sans se moquer comme le font d’autres enfants.

Avez-vous pensé à faire grandir Martine ? Et pourquoi ?

D’un album à l’autre, Martine peut prendre ou perdre un an ou deux. Pour être baby-sitter, faire du ski ou de la voile, elle doit être plus mâture et elle vieillit donc un peu ; pour un autre livre elle retourne à l’école des petits et personne ne trouve cela étrange. Tout dépend du sujet à traiter mais, deux ans de plus ou deux ans de moins, elle restera éternellement dans la tranche d’âge de ses jeunes amies à qui maman raconte les histoires ou qui apprennent à lire.

D’où tirez-vous votre inspiration d’illustrateur ?

Dans mes premiers livres vous pouvez retrouver l’univers de mon enfance ; mon grand père, les fermes de ma région, les chevaux aux labours. J’y ai mis les villages aux maisons basses et aux toits de tuiles rouges puis aussi les paysages devant lesquels j’aimais installer mon chevalet. Tout cela a changé au fil des ans et Martine s’est adaptée.
Les vêtements de la petite fille correspondent toujours aux vêtements portés par les enfants d’ici, l’année de la création du livre. Jupe extra courte ou jeans, la collection est une petite histoire du costume pendant un demi siècle. Il n’est pas rare que des adultes viennent me voir en disant : j’avais exactement la même robe que « Martine petite maman » ou « Martine à la ferme ». C’est tout pareil pour les objets, une lessiveuse, un grille pain ou une voiture.
Pour ce qui est du développement d’une histoire demandant un travail de documentation, je me rends sur place pour m’imprégner du sujet. Que ce soit la voile, la montgolfière ou la danse, j’aime suivre des stages pour observer adultes et enfants au cœur même de l’activité. En connaître plus sur le sujet, de l’intérieur, me donne des indications à propos des points importants à aborder dans l’album. Il y a là une certaine responsabilité car, ensuite, des professionnels de la discipline porteront sans doute un jugement sur mon travail, est-ce une approche bien comprise et bien documentée ? Pour « Martine petit rat de l’opéra » j’ai par exemple suivi un stage avec Madame Dolorès Laga, danseuse étoile des ballets Béjart. Dans ce cas ci il y avait aussi la difficulté de retranscrire sans erreur des termes de métier très précis. Il semble que j’ai été bon élève car, par la suite, l’album fut utilisé comme livre didactique par plusieurs école de danse. Ceci dit... ne me demandez pas d’exécuter moi-même un grand écart ou une glissade en saut de chat !
Pour les autres histoires, tout ce qui m’entoure peut un jour devenir décor ou sujet d’un album. J’admire ici ce mouvement de bras, là ce ciel aux lignes surprenantes, ce groupe d’arbres qui pourrait se trouver en une peinture de Watteau ; observer ce qui m’entoure pour y déceler une vibration ou une émotion, c’est la base de mon artisanat. Disant cela je me vois obligé d’ajouter une chose importante, un dessin n’est pas la juxtaposition de ces éléments divers aussi beaux soient-ils, non, ce serait trop facile. Le dessin est avant tout histoire de composition et d’équilibre. L’observation n’est pas la capture photographique d’objets à juxtaposer mais une formation permanente de l’esprit qui permettra, le moment venu, de retranscrire une émotion.

Quelle est l’album de Martine que vous préférez ?

Il n’y en a pas un en particulier. J’aime « Martine au parc » pour certaines ambiances, j’aime « Martine fait du théâtre », j’aime aussi « Martine aux pays des contes » qui m’a permis d’aller plus loin dans le rêve.
Il n’y a pas que la série Martine car j’ai également une tendresse particulière pour certains livres parlant d’animaux, pour aussi le livre : La belle et la bête.


Avez-vous comme projet pour Martine une histoire comique ?

Je pense que, par exemple « Martine baby-sitter » était une histoire drôle. Toutes les bêtises des jumeaux permettaient un livre plus léger. Il est bien difficile de faire plus car le format de la série, 18 pages avec très peu de texte, est peu propice aux développements.
La bande dessinée plus que le livre d’illustration permet ce genre de choses. Avec le découpage en petites cases et 50 pages à votre disposition, il est plus facile de s’exprimer et cela donne plus de latitude pour l’humour ou même pour les sujets plus graves que l’on m’a parfois demandé de traiter. Ce sera peut-être pour dans une autre vie.



Selon vous, quel est le secret du succès de Martine après tant d’année ? Quelles valeurs souhaitez-vous que les enfants et les éducateurs retiennent en lisant les aventures de Martine ?

Le succès toujours présent vient sans doute du fait que l’univers créé autour de cette petite fille garde un parfum de famille, d’amour et de tendresse, les trois bases de l’existence humaine. Martine c’est la chaleur de l’amie intime, la chaleur de maman quand elle vous serre dans ses bras. Elle est aussi pour les adultes le souvenir d’une époque passée, elle est l’enfance de centaines de milliers de lecteurs.
En illustrant Martine telle qu’elle est, je n’ai jamais réfléchit à tout cela, j’ai simplement mis sur papier ce que j’avais en moi. Il se fait, qu’au final, cela donne une image rassurante. Je revendique cette image car elle correspond à ma nature.
Je suis favorable aux livres expliquant aux enfants les difficultés de ce monde ; oui aux livres parlant du divorce et du chômage, oui à tout cela. Il faut cela et il faut aussi des albums tels que Martine. Le monde est dur et cruel, mais il est aussi tendresse et amour, il est découverte et émerveillement. Ces valeurs là, il est important de les donner à l’enfant comme base car, il est aussi important pour lui de posséder ce chaud que de posséder un cœur qui bat.
J’aime aussi que ce petit personnage soit porteur de trois qualités pour moi essentielles, je la veux brave, généreuse et respectueuse des autres.
Martine est à la foi le refuge et le camp de base pour aller plus loin et plus haut, elle représente les grand bras de papa où l’enfant aime à se blottir, elle est aussi ces même bras qui poussent aux audaces.
Une lectrice disait : Je ne voulais pas apprendre à nager car j’avais trop peur... mais Martine a pu le faire... alors je me suis lancée moi aussi.
Une autre lectrice a écrit : Je n’ai pas eu une enfance heureuse, loin de là, mais je me suis toujours battue pour qu’un jour, mes propres enfants aient, comme Martine, de l’amour et un jardin avec des fleurs.


É de facto um homem notável e muito simpático!


Mas desengane-se o Bruno Amaral. Não acredito que Marcel Marlier crie ‘A Anita e o Twitter’.

A Crise como oportunidade de crescimento

Na qualidade de membro da direcção da APECOM escrevi um artigo para o anuário internacional Hollis, no primeiro semestre deste ano, que relatava a minha percepção sobre as consequências da crise económico-financeira no sector das RP’s nacional.
Nesse artigo, que tive oportunidade de partilhar neste blogue, referia que muito provavelmente o mercado iria crescer e que parte desse crescimento poderia ter origem nos constrangimentos económicos que obrigariam os gestores a distribuir os montantes dos seus orçamentos por disciplinas que lhes oferecessem uma relação custo-benefício superior ao da publicidade.
Parece que a minha percepção não andava longe da verdade. Ontem o M&P anunciava os resultados de um estudo efectuado da britânica Shape of Future junto de 1492 empresas. Referem as conclusões que o sector das relações públicas poderá vir a beneficiar com a recessão económica. O documento avança que cerca de metade dos inquiridos está a prever investir mais na área de consultoria em comunicação no próximo ano e que, simultaneamente, 36,4% das empresas manifestaram a intenção de aumentar o orçamento para o seu plano de marketing para o próximo ano, sendo as áreas de relações públicas e digital as mais beneficiadas.
Posso agora confirmar que a 'performance' da Front Page é um bom exemplo desta realidade já que a consultora prevê obter, este ano, um aumento das suas vendas de cerca de 48%. Em ano de crise vamos assistir ao maior crescimento da nossa curta existência (3 anos). Parabéns à minha excelente equipa!
Continuo a considerar que o optimismo é uma excelente arma em tempo de crise...
NOTA: Seria interessante e útil que as agências nacionais de referência seguissem os bons exemplos internacionais e mostrassem uma maior preocupação em colaborar nos estudos de benchmarking que o mercado realiza. A Front Page, este ano, já contribuiu com todos os dados e valores solicitados, para um estudo que a APECOM está a realizar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

'Com a concorrência crescente é cada vez mais dificil ser original. Mas esse é o segredo para uma comunicação de sucesso. A única forma das marcas chegarem ao público através da imprensa e da televisão... desta vez é uma marca portuguesa...'

Ana Marques, Caras Notícias


Não tenho por hábito divulgar neste blogue as acções que, diariamente, a Frontpage desenvolve para os seus clientes. No entanto, esta peça do Caras Notícias, sobre um desfile da Throttleman, despertou-me a atenção. A editora e pivot do programa, Ana Marques, faz uma breve análise à estratégia de comunicação de marca. Achei interessante. Nunca tinha visto...



Conversa do dia...

«- O que me interessava é que a sua profissão é um pouco o oposto da minha.
- A Publicidade.
-Sim. Procuro que o Público tome consciência de alguma coisa que ele ainda não sabe que sabe. Ou, pelo menos, fazê-lo pensar. Porque ele agirá em conformidade, compreende? Ele pensará que a ideia partiu dele. Trata-se de transferir a informação, evitando cuidadosamente toda a especificidade.»
William GIBSON, Identification des schémas

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O BPN e o anjo da guarda

A decisão da nacionalização relâmpago do BPN, decidido (ou operacionalizado) num Conselho de Ministros extraordinário, realizado no passado Domingo, demonstra, mais uma vez, que vivemos na era da politica do imediatismo. E pior, na época em que são tomadas medidas importantes e sensíveis, a um Domingo (criando assim a percepção de gravidade e urgência), para sanar erros do passado.

Faz sentido que a questão das irregularidades e dos negócios escuros do BPN fossem tema para o comum dos mortais e que as entidades reguladoras competentes não tivessem conhecimento? E mais, que não actuassem? Faz sentido que, já em 2001, a Deloitte tenha mostrado reservas às contas que auditou e nada tenha sido feito? Faz sentido que tenha sido o Banco Central de Cabo Verde a informar o Banco de Portugal, em Março deste ano, das irregularidades existentes no BPN? Não. Nada disto faz qualquer sentido.
O Estado sabia, já há muito, o que se passava no BPN. Se não soubesse o seu nível de incompetência seria gritante. Porque deixou então a situação estender-se no tempo? Porque politicamente, até à data, ainda não tinha surgido o momento certo. Porque actuou agora? Porque a crise financeira mundial pareceria, um óptimo fundamento para a desgraça do BPN.
A crise financeira internacional não foi a causa directa da situação do BPN. Apenas a agravou.
Consequências desta história mal contada: A aprovação de um Decreto lei que permitirá ao Governo, no futuro, nacionalizar empresas sem a aprovação dos deputados; 4.400 funcionários com o futuro incerto (até novas ordens ou novos donos); A criação da percepção do orgulho de termos um Governo paternalista que não ‘nos deixa cair’; Novos encaixes financeiros para o Estado com a provável reprivatização do BPN.

O que não vale uma história bem contada...